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A receita das escolas-padrão

Embora tenha conseguido vencer o desafio da universalização no acesso ao ensino fundamental, no início da década, o Brasil continua registrando melhoria pífia da qualidade da educação oferecida pela rede pública. Segundo os indicadores sociais que acabam de ser divulgados pelo IBGE, 36,4% dos estudantes que freqüentavam a 8ª série do ensino fundamental, em 2005, estavam em séries atrasadas para suas idades. As falhas do processo educacional também são evidenciadas pelos resultados da Prova Brasil, que em 2005 avaliou o desempenho de 3.306.378 alunos de 40.920 escolas públicas e constatou que 50% deles não são capazes de ler e entender textos mais complexos e de fazer as quatro operações aritméticas. Por isso, neste momento em que o sistema educacional apresenta um desempenho muito inferior ao necessário num mundo cada vez mais marcado pelo avanço do conhecimento e pela inovação tecnológica, não pode passar despercebida uma importante pesquisa que acaba de ser divulgada, apontando quais...

Erro de prioridade

Em Opinião de OGlobo de 25 de julho de 2.006: O sistema educacional brasileiro é uma pirâmide de cabeça para baixo. Por diversas razões — entre as quais tem peso especial a demagogia de palanque — as autoridades federais dão mais atenção à ponta do que à base dessa pirâmide.Candidatos em campanha sabem, por experiência pessoal, que causa melhor impressão anunciar a abertura de faculdades — segundo eles, uma forma de democratizar o ensino superior numa sociedade tradicionalmente elitista — do que, por exemplo, investir no trabalho árduo e silencioso de aprimorar a qualificação dos professores do ensino fundamental e do médio. Sabem também, pois é óbvio para todos, que, se a base é sólida, o edifício se ajeita; e se é frágil, a estrutura desmorona, como um castelo de cartas. Mas pouco lhes importa, contanto que sejam eleitos.Investir com racionalidade nessa área significa, como sempre, começar pelo básico. No Brasil, implicaria inverter as prioridades. O GLOBO apurou que o governo federa...

Segundo plano ou mais...

OGLOBO: Segundo plano Educação é um desses temas em que sólidos consensos convivem com divergências profundas. As concordâncias são genéricas: ninguém diverge sobre a importância da educação para qualquer país, mais ainda o Brasil, que tem conhecidos problemas na formação da população e é obrigado a fazer frente no mundo globalizado a ferozes concorrentes como a China e a Índia, eficientes no adestramento de profissionais. As divergências estão em como fazer. Isso não é empecilho, no entanto, a que se formem correntes de opinião fortes sobre o tema. É muito questionada, por exemplo, a hierarquização feita pelo governo para enfrentar os desafios do setor. Uma crítica recorrente a Brasília é quanto ao peso desproporcional dado à questão universitária, em relação ao que é feito para melhorar a qualidade do ensino básico — sem o que de pouco adianta ampliar a oferta de vagas no ciclo superior. Se a qualidade do ensino básico não for aprimorada, o futuro do país será medíocre, de simples ex...

Super professor

OGLOBO: O professor ideal ARNALDO NISKIER Estamos vivendo uma curiosa fase dos “quase”. O escritor Carlos Heitor Cony lançou o seu “Quase Memória”, para muitos uma obra definitiva. Mais recentemente, tivemos o “Quase Danuza”, em que a jornalista desnuda suas dores e alegrias, pessoais e profissionais, pormenorizando sobretudo os históricos casamentos com Samuel Wainer e Antônio Maria. Saímos da literatura para alcançar a educação. E, nela, abordamos o professor quase ideal. Não se conseguiu até hoje chegar ao mestre perfeito, sobretudo no período em que há transformações diárias na vida de cada um de nós. Se tivéssemos o professor ideal seria fácil promover a sua clonagem, com os recursos científicos e tecnológicos existentes. Não faltariam bons e categorizados mestres. A perfeição existe no domínio divino. Ainda não é uma conquista à mão dos pobres mortais. E a clonagem está submetida a uma alentada discussão a respeito de valores éticos, no caso de se referir a seres humanos (inteiro...

Pobrema...

OGLOBO: MEC dá crédito para alunos de cursos reprovados Demétrio Weber BRASÍLIA. Não é só o programa Universidade para Todos (ProUni) que oferece bolsas para estudantes de baixa renda em cursos sempre reprovados no antigo Provão. O Financiamento Estudantil (Fies), programa de crédito educativo do Ministério da Educação (MEC), subsidia parte das mensalidades de alunos em faculdades que nunca tiraram sequer um conceito regular no exame. O procedimento vai contra portaria do próprio ministério, editada no ano passado para impedir que cursos de baixa qualidade recebam recursos públicos do Fies. O MEC divulgou na última sexta-feira que 531 estudantes foram selecionados e terão direito a empréstimos para estudar em 74 cursos reprovados nas últimas três edições do Provão, o que é proibido pela portaria ministerial.

Fundeb - Primeiro Passo

OGLOBO: Comissão da Câmara aprova criação do Fundeb Demétrio Weber BRASÍLIA. A Câmara dos Deputados deu ontem o primeiro passo para criar o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), novo sistema de financiamento do ensino público que aumentará os repasses federais a estados e municípios. Por unanimidade, a comissão especial encarregada de analisar o assunto aprovou substitutivo da deputada Iara Bernardi (PT-SP) que altera a proposta de emenda à Constituição original do governo, contrariando a orientação do Ministério da Fazenda. O Fundeb vai substituir o Fundef, fundo destinado apenas ao ensino fundamental. O novo fundo vai incluir também o ensino médio. O projeto poderá ser votado em plenário na terça-feira. Como se trata de emenda constitucional, precisa passar duas vezes pelo plenário antes de seguir para o Senado, onde a votação em dois turnos se repete. O substitutivo determina que, a partir do quinto ano de vigência do Fundeb, a complementação da União e...

Fuvest 2005

Escola pública põe mais alunos na Fuvest FÁBIO TAKAHASHI da Folha de S.Paulo A participação dos estudantes das escolas públicas no vestibular da Fuvest, o maior e mais importante do país, bateu recorde neste ano: chegou a 41,8% dos inscritos. O índice é o maior desde 1987, quando a Unicamp saiu do processo seletivo. Neste período, a menor porcentagem foi de 29,5% em 1999 e em 1997. O aumento da participação da rede pública ocorreu devido à elevação no número de isenções da taxa de inscrição (que custou R$ 105). A Fuvest constatou que a questão financeira impedia que muitos desses alunos prestassem o vestibular. Por isso decidiu ampliar para 65 mil o número de beneficiados. E também divulgou mais a medida nas escolas. A primeira fase do exame será no próximo domingo. Este é o vestibular com o maior número de inscritos: 170.474 candidatos. Apesar do aumento, os 41,8% ainda são baixos comparados ao peso desse sistema no Estado: 85% dos estudantes do ensino médio estão nas escolas públicas...

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