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Estado irá criar classes apenas para alunos repetentes

FÁBIO TAKAHASHI da Folha de S.Paulo A Secretaria Estadual da Educação de São Paulo decidiu criar, já em 2008, turmas especiais aos alunos que repetiram a 4ª série do ensino fundamental. A medida vale também para os estudantes da 3ª série com dificuldades de aprendizagem. Esses alunos ficarão em classes de recuperação, separadas das turmas regulares. A intenção do governo José Serra (PSDB) é dar aos estudantes um reforço mais intensivo, em turmas menores, com materiais didáticos específicos. Educadores vêem o risco de que os alunos sejam estigmatizados. As turmas de recuperação da 4ª série em 2008 serão formadas pelos alunos que repetiram neste ano --no sistema de progressão continuada vigente no Estado, o estudante da fase inicial do ensino fundamental só pode repetir na 4ª série. Até este ano, os alunos que eram reprovados cursavam o ano seguinte nas turmas regulares, formadas por alunos provenientes da 3ª série. Em 2006, o índice de retenção na 4ª série ficou em 9%. Pa...

Professor não está preparado para alunos deficientes

Pesquisa do Ibope mostra que 96% deles se dizem sem condições e 87% afirmam nunca ter recebido treinamento Maria Rehder e Naiana Oscar, JORNAL DA TARDE No caminho para promover a inclusão de alunos especiais na rede pública brasileira dentro das escolas regulares, como defende o Ministério da Educação (MEC) e grupos de especialistas da área, há uma barreira essencial a ser superada: o treinamento do professor para receber e ensinar esse estudante. Pesquisa Ibope encomendada pela Fundação Victor Civita, obtida com exclusividade pela reportagem, revela que 96% dos professores da rede pública se dizem despreparados para a inclusão de alunos especiais e 87% deles nunca receberam nenhum treinamento para isso. Foram ouvidos 500 docentes, em uma amostra de todas as capitais. "Há experiências maravilhosas de docentes que promovem a inclusão. Só que ainda temos redes de ensino e até escolas que não oferecem capacitação", afirma Regina Scarpa, pedagoga da Fundação Victor Civita....

Para educador, escola formal não serve para educar

UIRÁ MACHADO Coordenador de Artigos e Eventos da Folha de S.Paulo "A Escola formal não está só na forma. Está dentro da fôrma. O pior é quando está no formol. É um cadáver." É assim que o educador mineiro Tião Rocha, 59, vê o ensino convencional, de cujos métodos e conteúdos se afastou há mais de 20 anos para experimentar processos alternativos de educação. À frente do Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento desde 1984, Rocha sempre persegue "maneiras diferentes e inovadoras" de educar, alfabetizar, gerar renda. Ele distingue educação de escolarização e busca um sonho: escolas que sejam tão boas que professores e alunos queiram freqüentá-las aos sábados, domingos e feriados. "Se ninguém fez, é possível", diz. Folha - Toda a sua história como educador é feita do lado de fora das escolas convencionais. Qual é o seu problema com a escola formal? Tião Rocha - Se eu tivesse um analista, isso seria um prato cheio para ele. Comecei a ter problem...

Um quarto dos jovens se droga com remédio

Marcelo, de 27 anos, mora com os pais e com o irmão mais novo, trabalha o dia inteiro, tem diploma universitário, namora sério, pratica esportes, faz planos para fazer uma pós-graduação no exterior e sai para a balada com amigos quase toda noite. Ele se considera um jovem "responsa". Mas, ainda assim, precisa de ajuda química para dar conta da rotina pesada. "Maconha fumo eventualmente, mas não gosto muito. Prefiro o estimulante", conta. "Não deixa cheiro, não dá bandeira em casa. Pode sair com ele na rua que a polícia não pega. E não deixa doidão. Você não corre o risco de pegar uma gorda achando que a mina é gata." Marcelo pegou a dica do estimulante, do tipo anfepramona, na academia onde malha. Nas farmácias, uma caixa com 20 comprimidos custa, em média, R$ 17. Para conseguir comprar o remédio de tarja preta, ele pede a receita a um amigo médico. No começo da happy hour, Marcelo toma o remédio. Fica inteiro por toda a madrugada. No dia seguinte, volta a...

Profissão em extinção?

Magno de Aguiar Maranhão No Brasil, nenhum nível de ensino escapa ao problema. Mas não estamos sós: a Unesco alerta que a meta mundial de "educação para todos", fixada no início dos anos 1990, e que deveria ser atingida até 2015, está ameaçada devido ao déficit alarmante das peças-chave do processo ensino/aprendizagem. A estimativa é de que, em dez anos, o planeta amargará uma carência de 15 milhões a 30 milhões de professores. O órgão afirma que, praticamente, não há país imune às pragas que têm afugentado os mestres das salas de aula, mas destaca que as conseqüências mais funestas recairão sobre nações subdesenvolvidas e em desenvolvimento, bloco no qual nos encontramos, e ocupamos algumas das piores posições quando o assunto é educação, mesmo se comparados a países com economias mais frágeis. Isso nos obriga a sair do âmbito das análises estéreis para atacarmos os fatores que, dentro das nossas fronteiras, têm transformado o magistério numa das carreiras mais frustrantes e...

Educadores criticam antecipação de exigências e responsabilidades

da Folha de S.Paulo Os educadores não são contra o ensino fundamental de nove anos. Mas alguns estão preocupados com a forma como os colégios vêm fazendo a mudança, que pode trazer prejuízos aos alunos. Diretora do Instituto Superior de Educação de São Paulo, Gisela Wajskop, que foi coordenadora do Referencial Curricular da Educação Infantil (documento do MEC com diretrizes para a pré-escola), é uma delas. "Está ocorrendo uma antecipação das exigências e das responsabilidades adultas por parte das escolas. Os compromissos, as lições de casa, as avaliações são tantas que beiram a loucura", afirma. Organização Gisela faz questão de frisar que defende a inclusão de um ano a mais. "Ele é fundamental dentro da restruturação das políticas públicas de educação e uma criança de seis anos tem total condição de ser alfabetizada." Mas, para ela, as escolas precisam se organizar melhor e entender que não basta só incluir a nova série. "Aos seis anos, as ...

Aos 6 anos, crianças encaram escola "puxada"

DANIELA TÓFOLI da Folha de S.Paulo Avaliações periódicas, mais tempo de aula, menos de recreio. Crianças de 6 anos que estão em escolas que já adotaram o ensino fundamental de nove anos (previsto para estar presente em todas as redes de ensino do país até 2010) estão tendo de se adaptar a uma nova rotina --mais puxada e estressante, dizem os especialistas. Parte dos colégios particulares de São Paulo começou a oferecer o nono ano no início de 2007. Apesar de o objetivo ser a garantia de mais um ano de escolaridade obrigatória para os estudantes da rede pública e de o conteúdo curricular não ter mudado (já que a principal alteração foi de nomenclatura: o antigo pré passou a ser primeira série), o cotidiano escolar acabou mudando. Antes, alunas do pré, as crianças de 6 anos não costumavam ser submetidas às provas, estudavam em unidades com playgrounds e tinham mais tempo de recreio. Muitas escolas, porém, ao incluir esses alunos no ensino fundamental, mudaram as regras. Na E...

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