Responsável por um dos mais respeitados indicadores educacionais do planeta, o Programa Internacional de Avaliação Comparada (Pisa), o físico alemão Andreas Schleicher, 45 anos, esteve em Porto Alegre, ontem, e pela manhã, participou da abertura do 10º Congresso Escola Particular. Há oito anos, ele acompanha uma prova aplicada a estudantes de 15 anos de países desenvolvidos, em uma iniciativa da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). No ranking, os brasileiros estão na lanterna. Ocupam a 53ª posição em matemática (entre 57 países) e a 48ª em leitura (entre 56).
Agência RBS – Qual é a importância de uma prova para melhorar o ensino?
Andreas Schleicher – Não pode melhorar o que não pode medir. Se os professores não souberem como estão seus alunos, se as Escolas não se compararem, é difícil melhorar.
Agência RBS – Como é a prova do Pisa?
Schleicher – Queremos ver se o aluno consegue entender a matemática e a sabe usar como ferramenta para entender o mundo, resolver problemas, pensar de forma criativa e imaginativa. Se ele pode usar o conhecimento para ir além, em novas situações. O Pisa não testa se o aluno consegue replicar o que aprendeu na aula. A competência é que é avaliada.
Agência RBS – Os estudantes brasileiros estão entre os piores nessa avaliação. O que pode ser feito para melhorar esse quadro?
Schleicher – No Brasil, há muita ênfase em reprodução de conteúdo. Os alunos têm uma imensa quantidade de conhecimento, mas não se dá a eles as ferramentas de como aplicar esses conhecimentos na prática. As coisas fáceis de ensinar não tornarão o cidadão competitivo. O Brasil deve ser mais audacioso. Precisa mudar o foco do conteúdo para competência. Também há expectativas diferentes em Escolas pobres, há tolerância e baixo padrão de exigência. Isso é um grande equívoco.
Agência RBS – O Brasil investe 5% do PIB na Educação. É pouco?
Schleicher – Em termos absolutos, pode ser pouco, mas relacionado ao PIB está na média dos países da OCDE, que é de 5,5%. Os sistemas de ensino mais caros não são necessariamente os melhores. A Coreia do Sul era muito mais pobre que o Brasil na década de 1960. Tinha pouquíssimo dinheiro para gastar com Educação, mas investiu de forma inteligente e produtiva. Agora, seu sistema de ensino tem uma das melhores performances do mundo. Em duas gerações, eles subiram todas as posições.
Agência RBS – No Brasil, ser professor não atrai os alunos mais brilhantes. Como melhorar a Educação se os melhores estudantes buscam outras profissões?
Schleicher – Essa é uma questão interessante e vários países a enfrentam. Não tem a ver com salários, mas com o ambiente. Para atrair jovens brilhantes, é preciso oferecer oportunidade de carreira, recompensar a boa performance. Pessoas brilhantes querem criar algo. E se você não der a elas essa oportunidade, elas ficam desmotivadas e vão para outra área.
Agência RBS – O senhor diz que os professores seguem linhas pedagógicas motivadas por crenças pessoais e deixam de observar o que as pesquisas apontam como eficaz no aprendizado. Por que?
Schleicher – Os professores tendem a ensinar como foram ensinados e não como foram ensinados a ensinar. Se você é médico, todos os dias buscará novas pesquisas, novos tratamentos, novos métodos. Na Educação, não existe essa prática. Às vezes, o professor está sozinho na sala, com problema e sem suporte. Não há tradição de gerenciamento de conhecimento no sistema de ensino. Isso acontece em outros setores, como a medicina, mas não no ensino.
DIÁRIO CATARINENSE
Agência RBS – Qual é a importância de uma prova para melhorar o ensino?
Andreas Schleicher – Não pode melhorar o que não pode medir. Se os professores não souberem como estão seus alunos, se as Escolas não se compararem, é difícil melhorar.
Agência RBS – Como é a prova do Pisa?
Schleicher – Queremos ver se o aluno consegue entender a matemática e a sabe usar como ferramenta para entender o mundo, resolver problemas, pensar de forma criativa e imaginativa. Se ele pode usar o conhecimento para ir além, em novas situações. O Pisa não testa se o aluno consegue replicar o que aprendeu na aula. A competência é que é avaliada.
Agência RBS – Os estudantes brasileiros estão entre os piores nessa avaliação. O que pode ser feito para melhorar esse quadro?
Schleicher – No Brasil, há muita ênfase em reprodução de conteúdo. Os alunos têm uma imensa quantidade de conhecimento, mas não se dá a eles as ferramentas de como aplicar esses conhecimentos na prática. As coisas fáceis de ensinar não tornarão o cidadão competitivo. O Brasil deve ser mais audacioso. Precisa mudar o foco do conteúdo para competência. Também há expectativas diferentes em Escolas pobres, há tolerância e baixo padrão de exigência. Isso é um grande equívoco.
Agência RBS – O Brasil investe 5% do PIB na Educação. É pouco?
Schleicher – Em termos absolutos, pode ser pouco, mas relacionado ao PIB está na média dos países da OCDE, que é de 5,5%. Os sistemas de ensino mais caros não são necessariamente os melhores. A Coreia do Sul era muito mais pobre que o Brasil na década de 1960. Tinha pouquíssimo dinheiro para gastar com Educação, mas investiu de forma inteligente e produtiva. Agora, seu sistema de ensino tem uma das melhores performances do mundo. Em duas gerações, eles subiram todas as posições.
Agência RBS – No Brasil, ser professor não atrai os alunos mais brilhantes. Como melhorar a Educação se os melhores estudantes buscam outras profissões?
Schleicher – Essa é uma questão interessante e vários países a enfrentam. Não tem a ver com salários, mas com o ambiente. Para atrair jovens brilhantes, é preciso oferecer oportunidade de carreira, recompensar a boa performance. Pessoas brilhantes querem criar algo. E se você não der a elas essa oportunidade, elas ficam desmotivadas e vão para outra área.
Agência RBS – O senhor diz que os professores seguem linhas pedagógicas motivadas por crenças pessoais e deixam de observar o que as pesquisas apontam como eficaz no aprendizado. Por que?
Schleicher – Os professores tendem a ensinar como foram ensinados e não como foram ensinados a ensinar. Se você é médico, todos os dias buscará novas pesquisas, novos tratamentos, novos métodos. Na Educação, não existe essa prática. Às vezes, o professor está sozinho na sala, com problema e sem suporte. Não há tradição de gerenciamento de conhecimento no sistema de ensino. Isso acontece em outros setores, como a medicina, mas não no ensino.
DIÁRIO CATARINENSE
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