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Professor de 1ª a 4ª série é o que menos evolui na faculdade

FÁBIO TAKAHASHI
da Folha de S.Paulo

Os universitários que se formam em cursos de preparação de professores são os que menos evoluem durante o ensino superior, aponta um estudo do pesquisador José Carlos Rothen, da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos).

A pesquisa analisou a variação das médias dos calouros e dos formandos em 28 cursos superiores, com base no Enade (antigo Provão), para indicar quanto os alunos "melhoram" durante o ensino superior.

Na área de formação de professores, a nota subiu apenas 8%, a menor variação da lista. Nesse grupo estão considerados os cursos que formam docentes especificamente para a educação infantil e as primeiras quatro séries do fundamental (normal superior).

Foram considerados os resultados nos exames de formação geral e específica. O maior crescimento de notas ocorreu em arquitetura e urbanismo (35%), seguido de computação (31%) e engenharia (27%).

Em pedagogia, que também forma professores para as séries iniciais da educação básica, o crescimento foi de 15% -abaixo da média do universo analisado, que ficou em 18%.

Uma das principais diferenças entre pedagogia e normal superior é que o primeiro forma os educadores também para atuarem em cargos de direção e supervisão escolar.

"Uma hipótese para explicar os dados é que há problemas de organização nos cursos de formação de professores", disse Rothen, cujo trabalho será apresentado neste mês na reunião anual da Anped (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação). Rothen trabalhou com a pesquisadora Fernanda Nasciutti, do Centro Universitário do Triângulo (MG).

Estudo feito no final do ano passado pela consultoria McKinsey apontou que a qualidade dos professores é a principal preocupação dos países com as melhores notas no Pisa (exame internacional de aprendizagem), como a Finlândia.

Plano

O MEC informou ontem que admite que há problemas na qualidade dos cursos de formação de professores (tanto do normal superior quanto de pedagogia). Por isso, anunciará hoje a criação do Sistema Nacional Público de Formação de Professores. A idéia é envolver mais as instituições públicas na área (hoje predominada pelas universidades privadas).

O governo Lula espera também que as faculdades tornem seus currículos mais próximos aos conteúdos utilizados na sala de aula -atualmente, há a crítica de que o curso de pedagogia discute muita teoria, mas possui pouca prática.

Análise

Pesquisador da USP de Ribeirão Preto, José Marcelino Rezende Pinto cita características específicas da área que podem prejudicar o desempenho.

"Em geral, boa parte dos alunos já é professor, e tende a achar que não tem muito o que aprender. Acabam ganhos pelo discurso cristalizado na escola de que as crianças não aprendem porque as famílias são "desestruturadas" ou devido à progressão continuada."

Outro problema, diz Pinto, é que faltam boas escolas para os futuros docentes estagiarem.
Para a coordenadora do curso de pedagogia da Unicamp, Ângela Soligo, os maus desempenhos dos cursos que preparam os professores demonstra a "falta de prioridade para a educação" no país. "É nessa área que mais aparecem cursos a distância ou de duração mais curta. Vê se isso ocorre em medicina, engenharia", afirmou.

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