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Secretaria Estadual faz balanço da Educação

Secretaria analisa críticas ao ensino público no estado


(Da Redação) - Completado um ano no comando da pasta da Educação Estadual, Maria Helena Guimarães de Castro, em entrevista exclusiva ao Jornal Cidade, mostra o balanço dos últimos doze meses.

JC: Nesses últimos doze meses, quais foram os avanços obtidos na rede de escolas estaduais?

Maria Helena: Resultados em educação são sempre à longo prazo. Mas conseguimos implantar logo de início algumas importantes mudanças. O foco sempre foi o aluno, a melhoria da aprendizagem. Nova proposta curricular, programa especial de alfabetização, reformulação do sistema de avaliação, recuperação intensiva, materiais de apoio a professores e alunos, criação do Idesp, o índice de qualidade para cada escola, valorização dos professores, seleção de 12 mil coordenadores pedagógicos, diversificação do Ensino Médio e melhoria de infra-estrutura nas escolas.

JC: Como a senhora analisa as críticas sobre o ensino público?

Maria Helena: É importante haver críticas, desde que corretas. O ensino público vive um momento singular. Começa agora a entrar no cotidiano das pessoas. O governador José Serra cuida da Educação como prioridade. Só neste ano temos R$ 13,8 bilhões de orçamento para a educação básica. O governo do Estado planeja investir de R$ 650 milhões a R$ 800 milhões apenas na reestruturação de escolas neste ano. No ano passado foram cerca de R$ 550 milhões.

JC: Tem fundamento a afirmativa de que há uma queda na qualidade do ensino público? O aluno formado em escola pública há vinte, trinta anos realmente aprendeu mais?

Maria Helena: A qualidade é o grande desafio. Nos últimos anos, o acesso à escola se universalizou. Nada menos do que 98,6% da população de sete a 14 anos do Estado de São Paulo está na escola, segundo o IBGE. Na faixa etária entre 15 e 17, anos há 86,4% de estudantes em São Paulo, o maior índice do Brasil. Superado o desafio da inclusão, que foi uma vitória da sociedade, outro muito mais complexo está colocado: é o desafio da qualidade e da melhoria efetiva do aprendizado em nossas escolas.
O ensino há 20 ou 30 anos era mais restrito. Não era universalizado. Hoje as crianças estão nas escolas, resultado excepcional. Agora é a busca pela qualidade, um salto para os alunos.

JC: E o projeto onde o aluno permanece em período integral na escola? Quais os resultados obtidos?

Maria Helena: O programa Escola em Tempo Integral começou há dois anos e atualmente conta com cerca de 500 escolas. São atendidos 130 mil alunos de 1ª a 4ª e de 5ª a 8ª do ensino fundamental. A jornada escolar é de 9 horas, com todas as disciplinas do currículo, além das oficinas culturais (dança, música, teatro e artes plásticas), atividades esportivas, orientação à pesquisa, hora da leitura, aula de informática, etc.

JC: São frequentes os comentários de que no Brasil há uma inversão na educação. Quando chega a hora de cursar uma faculdade, o aluno de escola particular consegue vagas nas universidades públicas enquanto a maioria dos alunos da rede pública não consegue essas vagas. Como criar condições de igualdade na disputa de vagas nas universidades públicas?

Maria Helena: Novamente, a questão tem como ponto central o desafio da qualidade na educação. Pensando nisso, a rede estadual paulista tem investido em projetos de recuperação paralela, avaliações ao longo dos ciclos e atividades curriculares correlatas para estudantes do ensino médio, com foco no conteúdo de atualidades, oportunidade para abordar temas que são recorrentes. A educação básica precisa ter total prioridade. É com uma base boa que os alunos serão cidadãos plenos, terão oportunidades ampliadas.

JC: E as dificuldades enfrentadas pelo professor em relação à agressividade dos alunos? E a questão salarial?

Maria Helena: Os professores são essenciais para a educação ganhar em qualidade. É preciso, antes de tudo, respeito ao professor. A valorização dos professores é uma realidade neste governo. Há cerca de 15 dias foi aprovado pelo governador aumento de até 12,2% no salário-base dos profissionais da ativa e aposentados da rede estadual.

JC: Rio Claro e Limeira travaram recentemente uma disputa para ver quem ficaria com a diretoria regional de ensino. Mesmo oferecendo um prédio próprio para instalar a diretoria, Rio Claro perdeu a diretoria, que permanece em Limeira. Qual o critério para definir onde fica a diretoria? Existe a possibilidade de termos duas diretorias regionais, uma em cada cidade?

Maria Helena: Por enquanto não existe estudo neste sentido. O critério para que a diretoria permanecesse em Limeira foi basicamente o tamanho da rede. Limeira tem 35% mais alunos que Rio Claro. Decidimos que haveria mudança para Rio Claro por causa do custo do prédio. A Secretaria pagava aluguel. Temos total respeito por Rio Claro, uma cidade fundamental para o Estado. Mas Limeira nos cedeu um prédio, sem gasto para o Estado. Para evitar, a transferência de toda a infra-estrutura, optou-se por mantê-la no mesmo local. Não há como discutir, sobretudo porque estamos falando em economia do dinheiro público. E R$ 60 mil economizados por ano podem ser investidos em melhorias nas próprias escolas da região.

Jornal Cidade On Line
Rio Claro - SP
27 de julho de 2.008

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