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Qualificar nunca é demais

O aluno que lê e escreve bem desde cedo tem melhor poder de síntese e compreende com mais facilidade qualquer disciplina

Um total de 55% das crianças terminam a 4ª série do Ensino Fundamental sem saber ler e escrever, segundo dados do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2005. Isso acarreta problemas de interpretação que muitas vezes são carregados até o Ensino Médio. Com a intenção de preparar o educador para que ele possa melhor desenvolver a capacidade de leitura e escrita em sala de aula, Silvia Carvalho, coordenadora executiva do Instituto Avisa Lá, elaborou o projeto Além das Letras.

JT: No que consiste o programa Além das Letras?

Silvia Carvalho: Em apoiar as secretarias municipais para formar melhor os professores na área de leitura e escrita. Nosso conteúdo é gratuito e pode ser acessado online de qualquer lugar do Brasil. Uma vez por ano fazemos um seminário e discutimos os acertos e melhorias. O programa capacita coordenadores, que passam seu conhecimento aos professores, que por sua vez aplicam o que aprenderam com os estudantes em sala de aula.

O programa atinge todos os Estados e municípios brasileiros, inclusive a Capital Paulista?

Não, só os que se cadastraram no nosso site Além das Letras. Não fomos procurados pela Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, mas cidades como Santos, no Litoral, São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, e Itatiba, no Interior, participam.

Dados como o do Saeb mostram que o professor não está tão bem preparado para alfabetizar?

Não dá para generalizar, mas é sempre necessário reciclar e aplicar novas metodologias. Isso não só para os educadores, mas em qualquer profissão. Hoje, o professor mais inexperiente está nas classes de alfabetização, tanto em creches como no Ensino Médio. Eu acho que deveria ser ao contrário.

Qual é a importância de aprimorar a leitura e a escrita dos alunos?

É fundamental porque todas as outras aprendizagens dependem de se ter uma boa escrita e uma boa leitura. O aluno que lê e escreve bem desde cedo tem um melhor poder de síntese e de compreensão de qualquer disciplina.

Que problemas são evitados quando o desenvolvimento da leitura e da escrita é colocado em prática já na Educação Infantil?

Repetência e evasão escolar, por exemplo. A idade máxima para começar a aprender a ler é 7 anos e no máximo 8 para escrever. Se você é uma criança de 3 anos que a mãe lê histórias infantis, sua facilidade de interpretar será muito maior. Isso aparentemente é simples, mas faz uma diferença, porque hoje temos alunos do Ensino Médio que não sabem interpretar nem reconhecer gêneros. Aprender e ler são processos lentos, que a pessoa vai construindo durante a vida e precisa ser sedimentado para um bom aproveitamento nas séries iniciais.

Quais métodos são mais apropriados para a assimilação da leitura?

Todos aqueles que partem do conhecimento prévio da criança. Por isso é importante o professor reconhecer aquilo que ela já sabe ao chegar na escola. E a partir daí planejar as intervenções didáticas, sempre usando o conteúdo e não a palavra isolada. Se o professor vai aplicar um ditado ele precisa contextualizar, ou seja, explicar o porquê do exercício, para não se tornar uma reprodução de frases sem significado nenhum.

Que dificuldades são mais notadas pelos alunos? As deficiências são diferentes em cada idade?

Os problemas aparecem em quaisquer idade e série se na infância o conceito de leitura e escrita não foi bem trabalhado e sedimentado. O que ajuda muito no desenvolvimento da criança é a ajuda dos pais. O professor desenvolve suas potencialidades e em casa a família consolida o que foi aprendido.

Qual a melhor maneira de ensinar?

Potencializando a capacidade de criação e a curiosidade da criança. Exercícios práticos, atividades em conjunto e a troca de experiência são combustíveis para um bom aprendizado. Sou contra a cartilha. Ela pega a língua escrita e a deixa enquadrada. O importante é a leitura de algo que entusiasme, porque assim, mesmo com dificuldade, o aluno não deixa de tentar entender o conteúdo.

Extraído de
Jornal da Tarde

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