Pular para o conteúdo principal

Acessibilidade

JBrOnline:

Derrubando barreiras

Dados do ultimo censo do IBGE apontam que aproximadamente 24,5 milhões de brasileiros apresentam algum tipo de incapacidade ou deficiência física. Isso significa que 14,5% da população é exposta diariamente a barreiras físicas, culturais e sociais, que constituem obstáculos ao exercício da cidadania, ou seja, ao direito de ir e vir, ao direito à educação e saúde, ao emprego, ao lazer, ficando muitas vezes à margem da sociedade. Incluem-se nessa fatia também pessoas com mobilidade reduzida permanente (idosos, pessoas altas, baixas ou obesas) ou passageira (gestantes, pessoas com deficiência temporária, adultos com crianças de colo). No País, 8% da população é idosa, e o número deve dobrar até 2025.

Problemas de acessibilidade acontecem porque o espaço urbano não é construído considerando limitações e diferenças entre as pessoas. As barreiras arquitetônicas e a falta de conscientização são os principais entraves ao exercício do direito de ir e vir dos cidadãos. São escadas, calçadas, corredores, elevadores, catracas, ônibus e outros obstáculos que impedem o acesso de pessoas com dificuldade de locomoção a espaços como cinemas, teatros, bancos, restaurantes, lojas, condomínios. O que pode parecer simples tarefas para uns são desafios para portadores de limitações físicas.

Evitar que situações como essas aconteçam é responsabilidade e missão não só de cada cidadão, que deve respeitar e exigir que os direitos dessas pessoas sejam respeitados. Trata-se também de uma questão de responsabilidade dos governantes, entidades e profissionais da área de engenharia e arquitetura. É urgente a necessidade de se adaptar as cidades para a população que já vive nelas e para as gerações futuras. Um País não será socialmente justo enquanto não promover a cidadania e a igualdade de sua população.

Embora diversas ações pontuais já sejam desenvolvidas em todo o País para promover a acessibilidade, recentemente os portadores de necessidades especiais conquistaram mais uma vitória. O governo federal assinou no final do ano passado o Decreto 5.296/04, regulamentando as Leis 10.048, que dá prioridade de atendimento às pessoas com deficiência, e a 10.098, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade para pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. De acordo com o decreto, nenhum projeto de natureza arquitetônica e urbanística, de comunicação e informação, de transporte coletivo, bem como a execução, construção ou reforma de qualquer tipo de obra quando tenha destinação pública ou coletiva, terá permissão para ser realizada se não estiver cumprindo rigorosamente a legislação.

O Confea, através dos Creas, é a entidade responsável pela fiscalização. Embora ainda não haja data definida para o início, os Creas já começaram a se preparar, treinando fiscais e colaboradores, promovendo seminários e cursos de capacitação técnica, divulgando informações aos profissionais e prefeituras, promovendo vistorias em construções e realizando parcerias com sindicatos e associações. Os fiscais terão que exigir a ART de acessibilidade, ou seja, que a edificação tenha um responsável técnico pelo atendimento dessas normas. Em grande parte dos estados, o trabalho deve começar até o final do ano.

A fiscalização vai funcionar principalmente por meio da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) de cada obra, que passa a exigir um responsável pelo cumprimento das normas de acessibilidade da ABNT. A NBR 9050/2004 estabelece que qualquer reforma ou construção seja feita para possibilitar acessibilidade às pessoas com mobilidade reduzida. Isso vale para edifícios de uso público (relacionados à administração e serviços públicos) ou coletivo (edifícios privados de uso comum) e para as áreas comuns de condomínios residenciais, que também entram na norma.

Mais que uma obrigação legal, os profissionais do Sistema Confea/Crea têm um compromisso ético com a população. Cabe a esses profissionais, em parceria com governos, entidades e a sociedade, a responsabilidade de produzir os espaços urbanos, as edificações, os transportes e a sinalização acessíveis para a construção de um lugar melhor para todos. Respeitar a legislação de acessibilidade e promover a cidadania e a igualdade de acesso de todos a qualquer espaço é um compromisso que cada cidadão deve assumir. O caminho para o progresso e a justiça social em um País começa na conscientização e na mudança de atitude de sua população.

Wilson Lang é presidente do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea).

Comentários

Postagens mais visitadas na última semana

ENCCEJA 2023

Aplicação do exame será no dia 27 de agosto. De 3 a 14 de abril, os participantes poderão justificar ausência no exame de 2022. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) publicou, nesta quarta-feira, 15 de março, no Diário Oficial da União (DOU), o Edital n.º 19, de 13 de março de 2023, que dispõe sobre as diretrizes, os procedimentos e os prazos do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) 2023. A aplicação para o ensino fundamental e médio será no dia 27 de agosto e ocorrerá em todos os estados e no Distrito Federal.

SME São Paulo - SME produz Documento Orientador para Sondagem de Língua Portuguesa

Veja o Documento Orientador para Sondagem de Matemática   Orientações aos docentes que atuam nos três primeiros anos do Ciclo de Alfabetização para a realização do diagnóstico da turma A Secretaria Municipal de Educação (SME) disponibiliza para os educadores das Unidades Escolares com Ensino Fundamental I o Documento Orientador para Sondagem de Língua Portuguesa. O material foi produzido pela Divisão de Ensino Fundamental da Coordenadoria Pedagógica (COPED) e tem como objetivo auxiliar os docentes que atuam nos três primeiros anos do Ciclo de Alfabetização na realização do diagnóstico da turma. O documento leva em consideração que a aplicação e a consolidação dos dados da sondagem são fatores importantes para a proposição de políticas públicas condizentes e efetivas. De acordo com a publicação, “mais do que gerar dados sistêmicos, observar os resultados dos estudantes nos testes aferidos possibilita intervenções nos processos de aprendizagem por parte dos professores”. Assim,...

SME São Paulo - Documento Orientador para Sondagem de Matemática

Veja o Documento Orientador para Sondagem da Língua Portuguesa Acesse o Documento Orientador para Sondagem de Matemática Material auxilia docentes do Ciclo de Alfabetização e do Ciclo Interdisciplinar   A Secretaria Municipal de Educação (SME) disponibiliza para os educadores das Unidades Escolares com Ensino Fundamental I o Documento Orientador para Sondagem de Matemática. O material foi produzido pela Divisão de Ensino Fundamental da Coordenadoria Pedagógica (COPED) e tem como objetivo auxiliar os docentes que atuam no Ciclo de Alfabetização e no Ciclo Interdisciplinar na realização do diagnóstico da turma. Assim como a sondagem de Língua Portuguesa, a sondagem de Matemática, retomada em 2018, passa também por uma atualização após a construção do Currículo da Cidade, constituindo-se como mais um instrumento que, articulado com as Orientações Didáticas e os Cadernos da Cidade – Sa­beres e Aprendizagens, apoia o trabalho pedagógico dos professores dos Ciclos de ...

SP Resolução SE 56 de 14/10/2016 - ANEXO 1. Perfil do Diretor

ANEXO 1. Perfil do Diretor Como dirigente e coordenador do processo educativo no âmbito da escola, compete ao diretor promover ações direcionadas à coerência e à consistência de uma proposta pedagógica centrada na formação integral do aluno. Tendo como objetivo a melhoria do desempenho da escola, cabe ao diretor, mediante processos de pesquisa e formação continuada em serviço, assegurar o desenvolvimento de competências e habilidades dos profissionais que trabalham sob sua coordenação, nas diversas dimensões da gestão escolar participativa: pedagógica, de pessoas, de recursos físicos e financeiros e de resultados educacionais do ensino e aprendizagem. Como dirigente da unidade escolar, cabe-lhe uma atuação orientada pela concepção de gestão democrática e participativa, o que requer compreensão do contexto em que a educação é construída e a promoção de ações no sentido de assegurar o direito à educação para todos os alunos e expressar uma visão articuladora e integradora dos vários set...

SP Resolução SE 56 de 14/10/2016 - Perfil, Competências e Habilidades do Diretor de Escola da Rede Estadual de Ensino

Perfil, Competências e Habilidades Requeridos dos Diretores de Escola da Rede Estadual de Ensino de São Paulo Diário Oficial do Estado de São Paulo de 15/10/2016 Resolução SE 56, de 14-10-2016 Dispõe sobre perfil, competências e habilidades requeridos dos Diretores de Escola da rede estadual de ensino, e sobre referenciais bibliográficos e legislação, que fundamentam e orientam a organização de concursos públicos e processos seletivos, avaliativos e formativos, e dá providências correlatas O Secretário da Educação, à vista do que lhe representaram a Coordenadoria de Gestão da Educação Básica - CGEB e a Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Professores do Estado de São Paulo “Paulo Renato Costa Souza” - EFAP, e considerando a importância da: - definição do perfil profissional do Diretor de Escola da rede estadual de ensino, que propicie educação básica inclusiva, democrática e de qualidade; - definição das competências e habilidades a serem desenvolvidas para a carreira d...

Lista de blogs relacionados